Flamengo mudando de Ceni
Faz tempo estamos sinalizando que as coisas degringolavam, caminhavam para um lado um tanto obscuro no comando técnico do Flamengo, mas muitos preferiam fingir-se de mortos, permanecerem letárgicos e deixarem que o rio rubro-negro seguisse um curso natural. Mas o Flamengo não é assim, é um clube irrequieto que não comunga com o conformismo e passividade.
O treinador, reprovado por grande parte dos torcedores, jornalistas e até mesmo por aqueles que jamais entraram num campo de futebol caiu, em meio a um time desfigurado, desorganizado, suscetível a estádios vazios e derrotas irrefutáveis.
Foi pensando assim, longe das apostas europeias e de volta a soluções tupiniquins que Rogério Ceni chega ao comando do futebol Rubro-Negro, como uma alternativa de consenso entre dirigentes e jogadores
Em meio à mediocridade geral do futebol brasileiro, Ceni é respeitado por seu trabalho atual , seu carisma e principalmente por sua “flexibilidade” ante os problemas que se apresentam na Gávea.
Talvez Ceni não seja o nosso “sonho de consumo”. Mas como sempre digo, isso não significa muito, pois vejo que toda e qualquer contratação no Flamengo torna-se uma aposta, uma incógnita. A apresentação do ex goleiro artilheiro hoje foi um alento para os mais incrédulos, pois o novo treinador mostrou estar antenado a tudo que acontece no mundo bola, deixou a nítida impressão de possuir muito conhecimento técnico, além de apresentar peculiar serenidade, diplomacia e entendimento da complexidade e grandiosidade que é dirigir o Flamengo. Sabe que a missão é árdua, mas não impossível. Gostei muito do que vi e ouvi!
Enfim, o tempo urge, temos uma Copa do Brasil, um Brasileiro e uma Libertadores para ganhar. Precisamos de paz, de pôr água na fervura e buscar com ele um time mais coeso, onde todos setores estejam em plena sintonia. Temos um excepcional elenco, excelente estrutura, basta apenas que Rogério ajuste minimamente o time. O antecessor Catalão pareceu não ter tempo para entender como as coisas funcionam no Brasil, em especial no Flamengo, ao invés de mostrar sagacidade e procurar se guiar por uma cartilha vencedora, resolveu mudar abruptamente um trabalho vitorioso promovendo uma nova metodologia de trabalho que pareceu não ter sido muito bem assimilada pelos jogadores. Não deu certo, acontece. O importante é que nossos dirigentes agiram com rapidez, não deixando que o sangramento continuasse. Agora são novos ares, novos anseios e perspectivas.
Amanhã teremos um jogo decisivo pela frente, onde por ordem do destino nosso novo comandante enfrentará o time pelo qual se tornou seu maior ídolo. Uma prova de fogo, um indicativo que nos mostrará se permaneceremos na mesma ou mudamos de Ceni.
Marco Pellegrino
Sorria, você é Rubro-negro!
