Dribla Paquetá, "dibra"!
SRN amigos do Dinastia. Hoje eu quero falar sobre algo que vem me "encucando": afinal, não se pode mais driblar no futebol?
Eu comecei a pensar sobre isso, após essa mini-polêmica, em torno do que o Paquetá vem fazendo. Garoto do Ninho, começou a ter suas oportunidades, ganhou confiança e executa o que eu acho a maior arte no futebol que é o drible. Todos os jogadores podem se utilizar desse recurso, mas poucos sabem usar com tamanha naturalidade ou eficiência. Humilhante ou não, o fato de ludibriar o adversário já é algo de se fazer festa. Me lembro de um jogo marcante, que foi o Brasil x Argentina da Copa América de 1989, onde o Romário dá uma caneta no Maradona e mais para o fim do jogo, dá dois lençóis consecutivos nos defensores argentinos. Outro lance dele foi o lençol aplicado no grande Gamarra na Copa do Brasil de 1997, se não me engano, no Beira Rio. E o elástico no Amaral? Por falar em elástico, quantos agradáveis elásticos marcantes o Rivellino, o Djalminha e o Ronaldinho Gaúcho aplicaram em seus adversários? E os dribles progressivos do Messi e do Kaká, que sempre resultaram em grandes gols? Sávio destruía as defesas com esse recurso. O mesmo se aplica ao Júlio César Uri Gheller.
Enfim, futebol é uma arte e o recurso do drible é o que encanta, levanta a torcida, quebra verdadeiros "muros", resulta em lances marcantes. Só pesquisar no You Tube em relação ao drible. Incontáveis vídeos, tamanha alegria que é ver esse tipo de jogada.
Mas o "futebol moderno", onde os técnicos e dirigentes são mais valorizados que os jogadores, chegou a um ponto onde as pessoas já começam a questionar. Recurso que pode deixar o adversário "irritado". Isso mesmo: irritado! Driblar hoje é sinal de deboche. Tudo bem que hoje em dia, não temos mais esses especialistas em driblar. São poucos. Mas ainda assim, conseguimos apreciar algo. Principalmente nas categorias de base, onde se tem responsabilidade, mas os jogadores são mais livres para fazer esse tipo de jogada. Ver o Edinho criticar o Paquetá, mesmo que tenha sido de forma ineficiente, foi de doer os ouvidos. E decepcionante até! Logo ele, que no campo, foi um jogadoraço e atuou com outros excepcionais jogadores. E que usavam do drible como um dos seus principais recursos. Não é, Zico?
Fico imaginando o que o Garrincha diria se dissessem pra ele que não poderia mais driblar.
Como pode isso?
É tão bacana quando você vê as crianças num campo brincando de driblar. Muitas vezes o drible chega a ser mais divertido do que o próprio gol. É uma jogada que marca pra sempre. Como a do Tostão em 1970 contra a Inglaterra. E se o drible é um recurso, que os jogadores façam cada vez mais. Nem sempre tem essa de excesso. Se o adversário partir pra agressão, é sinal de que o drible está afetando o psicológico dele. Nessas horas tem que driblar cada vez mais. É muito bom quando você está no estádio e vê aquela caneta, o drible da vaca, um lençol... Jogador tem que ter responsabilidade e usar o drible de forma eficiente? Sim, claro. Nem sempre vai dar pra driblar. Mas tentem. É o recurso mais bonito no futebol.
Pois bem, futebol não pode limitar-se a chutões e passes apenas. Nem sempre o time que tem a bola, que toca pra lá e pra cá consegue algo. Mas aquele que é ousado e leva pra ponta e tenta driblar, além de fazer a alegria da galera, consegue quebrar a retranca e pode ficar marcado pra sempre. O jogador driblador sempre vai ter seu espaço. Mesmo que ele seja mínimo no campo. Só perguntar pro Denílson.
Então, fica a dica Paquetá. Não deixe isso morrer e aproveita e chama o Vinícius Jr pra fazer o mesmo. Drible cada vez mais. A Nação Rubro Negra está adorando ver isso. Siga em frente. Mostra pra esse monte de canelas duras o que você sabe fazer. E deixe pra lá esses comentários ridículos da imprensa, que cada vez mais inventa absurdos para querer ensinar moral e ética no esporte. Larga esses bundas moles pra lá.
"Dibra" Paquetá!
Reprodução do You Tube