APENAS UMA IMPRESSÃO DE QUEM JÁ VIU MUITA ÁGUA PASSAR PELA PONTE

Foto: Kelna Gaye

Mais um dia acordando sem graça, cabeça inchada, gosto amargo na boca, sem conseguir dormir direito, esse Flamengo ainda me mata…

Perder é do jogo, muitas vezes se tem uma atuação de gala e a vitória não vem, escorre pelos dedos! Mas o que vimos ontem, contra a Ponte, foi algo que vem se tornando corriqueiro na vida do torcedor. Agora,  desde que comecei nessa brincadeira (e já faz tempo!) não lembro de tanta indiferença diante de uma competição e resultado
Querem saber?
O Flamengo vem sendo a antítese de tudo aquilo que sempre amei, que muitas vezes me fez sair de casa apenas com o da passagem de volta no bolso, para ver a paixão da minha vida, encarando a  geral do velho e bom Maracanã, sol ou chuva, dividindo o espaço com os adversários, porque a geral não tinha dono, era de todos, sem distinção de camisa.

Vivi fases brabas, Onça, Manguito, Radar, Beijoca, Ditão, mas posso garantir que nunca faltou vontade, mesmo nos momentos mais adversos a garra sempre esteve em campo, quando não dava na bola era na porrada mesmo!

Lembro do Rondinelli  arrebentando a cara pra evitar um gol do Atlético mineiro na final de 80. Jogadores machos, com alma! Era o Flamengo em campo, respeitado e temido pelos adversários, amado e idolatrado pelos Rubro-Negros, São Judas no céu e o Flamengo na Terra!

O  mais intrigante é que temos uma geração de garotos que possivelmente  nos darão alegrias e títulos, não tenho a menor dúvida, alias, como sempre foi lá pelas bandas da Gávea, basta apenas que sejam prestigiados e mesclados com aqueles mais calejados ( Juan e afins), mas  não, a cartilha dos ‘entendidos” que hoje comandam o clube prefere  investir  em  “ homões da porra”, cheios de  cifrões, pompa,  status e que apenas entram em campo pra cumprir seu “oficio  de forma  profissional”.
Não vou ficar aqui gastando meu latim com treinador,  o pobre pegou o trem andando  e cheio de passageiros que em sã consciência  jamais convidaria para uma  viagem.  Nem daqueles  chamados  representantes do futebol,  pois  esses caras se embebedaram do poder, de egocentrismo e podem conhecer muito  de números , equações, mercado financeiro, mas  daquilo que tanto precisamos não conseguem ver um palmo à frente
Na moral, sou saudosista mesmo e  daí?  Prefiro  me vestir de utopismo, na esperança de dias melhores, da volta aos títulos avassaladores, da imensa inveja dos adversários, que roíam  as unhas de tanta dor de cotovelo.
Ainda acredito e continuarei sempre acreditando naquela camisa preta e vermelha, hoje amarelada pela morbidez e conformismo
É,  sabem de uma coisa? Acho que estou ficando velho, um chato...

Sorria, você é rubro-negro!

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